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Parcelar impostos resolve o problema financeiro da empresa?

Parcelar impostos resolve o problema financeiro

Quando uma empresa enfrenta dificuldades para pagar seus tributos em dia, o parcelamento pode parecer uma solução imediata: divide-se o valor devido em prestações menores e reduz-se a pressão sobre o caixa.

Em determinadas situações, essa estratégia realmente pode ajudar. Mas é importante compreender que parcelar uma dívida tributária não resolve, por si só, o problema financeiro que fez a dívida surgir.

O parcelamento pode dar fôlego ao caixa

Ao distribuir um débito ao longo de vários meses, a empresa pode diminuir o impacto de um pagamento elevado de uma única vez e buscar sua regularização fiscal.

No caso de débitos administrados pela Receita Federal, por exemplo, existem modalidades de parcelamento e negociação. No parcelamento convencional, determinadas dívidas podem ser divididas em até 60 prestações, observadas as regras aplicáveis a cada situação. Existem ainda procedimentos específicos para débitos do Simples Nacional, MEI, valores declarados em GFIP e outras situações.

Além disso, quando o débito já foi encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, a negociação deixa de ser feita diretamente com a Receita Federal e passa para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Ou seja: antes de parcelar, é necessário identificar exatamente qual é a dívida e quais condições estão disponíveis.

O problema começa quando a parcela vira apenas mais uma conta

Imagine uma empresa que já esteja com dificuldade para pagar fornecedores, salários, despesas fixas e os impostos do mês.

Ao parcelar tributos atrasados, ela passa a ter duas obrigações relacionadas aos impostos: continuar pagando normalmente os tributos que vencerão nos próximos meses e, ao mesmo tempo, pagar as prestações referentes à dívida anterior.

Sem planejamento, o alívio inicial pode se transformar em uma nova pressão sobre o caixa.

Se a causa do desequilíbrio financeiro continuar — queda nas vendas, margem insuficiente, despesas elevadas, retiradas incompatíveis com o resultado ou falta de controle — existe o risco de a empresa acumular novos impostos em atraso enquanto ainda paga o parcelamento antigo.

Antes de parcelar, é preciso olhar para os números

Uma decisão responsável deve considerar não apenas o tamanho da dívida, mas também a capacidade financeira da empresa nos próximos meses.

É importante analisar o fluxo de caixa, as despesas fixas, os compromissos já assumidos, a previsão de receitas e o valor dos tributos que continuarão vencendo normalmente.

A pergunta não deve ser apenas:

“Quanto ficará a parcela?”

É preciso perguntar também:

“A empresa conseguirá pagar essa parcela e continuar cumprindo todas as obrigações do mês?”

Essa diferença é fundamental.

Parcelamento deve fazer parte de uma estratégia

Em alguns casos, parcelar impostos é uma decisão adequada e necessária para reorganizar a empresa e buscar sua regularidade fiscal. Em outros, pode ser necessário avaliar diferentes formas de negociação disponíveis.

A Receita Federal mantém modalidades de parcelamento e também mecanismos de transação tributária para determinadas situações, cada um com critérios e condições próprios.

Por isso, a escolha não deve ser feita apenas com base no número de parcelas ou no valor inicial que parece caber no orçamento.

O ideal é que a negociação seja acompanhada de medidas para corrigir a origem do problema financeiro.

Contabilidade também é planejamento

Uma contabilidade consultiva pode ajudar a empresa a compreender suas obrigações, identificar os débitos existentes, avaliar as possibilidades de regularização e, principalmente, analisar se o compromisso assumido será compatível com o fluxo de caixa.

Parcelar pode ser parte da solução. Mas organizar as finanças é o que ajuda a evitar que o problema volte a acontecer.

Antes de assumir um parcelamento, converse com sua contabilidade e avalie a situação da empresa de forma completa.

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